A saúde mental corporativa entrou definitivamente na agenda estratégica das empresas, e ignorar esse movimento pode custar caro.
Burnout, ansiedade e outros transtornos relacionados ao trabalho passaram a gerar impactos diretos em encargos previdenciários, ações trabalhistas, indicadores internos e responsabilidades da empresa perante órgãos fiscalizadores.
Mais do que uma pauta de RH, o tema agora envolve gestão de risco, compliance e governança corporativa.
Saúde mental deixou de ser subjetiva e virou custo e risco jurídico. Metas abusivas, jornadas extensas, hiperconectividade e liderança despreparada passam a ter o mesmo tratamento jurídico de riscos físicos e químicos. O que antes era tema de cultura virou linha de custo.
Como o custo dobra
Quando o INSS reconhece nexo entre transtorno mental e trabalho (NTEP), o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) sobe. O resultado: o tributo do RAT pode dobrar.
Em folhas de grande porte, isso representa milhões em incidência adicional por ano.
O passivo que não entra no relatório
Além do tributo, há três frentes de exposição silenciosa:
- Presunção de culpa em ações trabalhistas;
- Inversão do ônus da prova em casos de Burnout;
- Responsabilização civil por falha preventiva, com base em PGR omisso.
Nenhuma dessas linhas aparece no balanço. Todas pesam no caixa.
Fiscalização digital
A fiscalização também evoluiu. Dados do eSocial e do INSS já permitem identificar padrões de adoecimento e gerar autuações de forma remota e preditiva.
O que a empresa precisa fazer
A adequação exige estrutura:
- Mapear riscos psicossociais;
- Integrar RH, jurídico e SST;
- Implementar plano de ação;
- Monitorar indicadores.
Não é mais opcional. É governança. Saúde mental corporativa passou a ser mensurável, auditável e exigível.
Ignorar esse cenário não é apenas um erro de gestão, é assumir um passivo jurídico relevante.
*Post assinado pelo sócio Caio Kuster.*
